A história da minha loja

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O porquê de ter uma loja. Vai bem além de “ter uma loja”. Esta é uma partilha de coração, que vai contra a maré apressada das redes sociais, mas fica para o caso de alguém querer ler, algum dia, por alguma razão.

No post anterior perguntei se alguém tinha ideia de como tudo começou e de quais os produtos que deram vida à loja. Uma pessoa muito querida respondeu certinho, na partilha do instagram alma.na.terra, “florais de anura!” É alguém atenta e carinhosa, que acompanha os meus passinhos desde o início, obrigada por isso e por tanto. Hoje conto a história da minha alma na terra – www.almanaterra.com/loja.

A “espiritualidade cor de rosa” desagrada-me profundamente. Aquelas frases feitas, por vezes até bem bonitas, que não encaixam em muitas vidas, nem sei em quais encaixam. Aquelas pessoas, tantas vezes terapeutas, com tamanha falta de presença na vida porque se construíram a partir dessas mesmas frases, que deram livros, que deram jeito como máscaras, que deram egos e superioridade, que deram treta, tanta treta, porque há palavras com m que não me apetecem ser escritas. A minha fé na espiritualidade mantém-se porque existem pessoas capazes de ouvir uma partilha de dor profunda, de arrependimentos, de histórias muito tristes, em silêncio, respeitando todo o nosso mundo, criando espaço, sem sair a correr para ir buscar o betadine da alma, sem olhar para o relógio, sem falar da “tal” técnica. Há palavras que matam um pouco de nós. Há silêncios que nos salvam.

Foi num silêncio acolhedor que tudo começou. A noite escura da alma não é só escura. Numa hora é lamacenta noutra é sêca, num momento é gelada no seguinte arde. Mas é sempre escura e por isso perdemos o rumo. Alguém parou para me ouvir, para me conhecer, para se deixar tocar também pela minha alma ferida. A Humanidade em alguns contextos não é politicamente correta, e é por isso que gosto tanto Dela em todos eles. A alma é o nosso rosto mais profundo, não precisa de maquiagens nem adereços, necessita apenas de outras almas de verdade. Nesse período crítico, fui ouvida, aceite nos meus próprios silêncios, ajudada. Haviam uns frasquinhos pequeninos, com tampinhas de cortiça, em cima dum tabuleiro, preparados a partir de flores, mãos e coração. “Que maravilha!”, pensei. Dei tempo ao corpo e à mente para receber as mensagens que vinham de lá de dentro, para fazerem sentido na minha estrutura e para despertarem o melhor de mim. Sim, eram os Florais de Anura, numa fase intermédia daquilo que são hoje. Ajudaram-me a recuperar a vida, a alegria e a esperança. Por vezes o que não queremos é dar tempo aos processos, porque é preciso tempo. E por isso tantas pessoas dizem são patetices que não funcionam, fazendo piadas sobre o que é natural e achando que não é possível unir-se a medicina à natureza. Para mim é, para mim nunca foi uma coisa ou outra, mas tudo merece equilíbrio e responsabilidade.

Depois de uma bonita e longa experiência com os Florais de Anura, quis levá-los mais longe e pelo menos deixar a semente em terrenos onde fossem bem recebidos, onde fizessem sentido. Eu sou a primeira a dizer que os Florais de Anura não fazem milagres, embora façam maravilhas, e a insistir que não nos trazem nada de fora, “apenas” despertam o nosso potencial interior e humano. A minha loja, durante muito tempo, teve os mais de 100 Florais de Anura e apenas isso! A loja cresceu mais tarde.

A minha consciência ambiental vem apenas de alguns anos, e quando comecei a mudar hábitos, fossem em prol da saúde ou em nome do planeta, pensava na minha loja como a forma de espalhar a mensagem. Posso dizer que tudo o que tenho na loja faz parte da minha vida e só as uso porque gosto muito e me fazem sentido.

Os caminhos para ter esta loja foram longos, talvez tenham começado quando nasci, e sendo a minha alma um espelho de mim, e eu um espelho da minha alma, chamei-lhe alma por aqui, nesta terra: alma na terra. Várias foram as pessoas com quem me cruzei, com quem partilhei e de quem recebi apoio para que tudo fosse possível, mesmo ainda antes dos Florais de Anura fazerem parte da minha vida. Um dia agradeço, se é que não agradeci já, a todas elas.

Este post, a minha caminhada e a minha loja têm um agradecimento a fazer: obrigada pelo teu caminho de flores Esmeralda, pelo teu Caminho de Anura.

O mais certo é a minha loja continuar a crescer, mas o dia de amanhã ninguém conhece. Farei o que a minha Alma lhe apetecer.